Carta do SISMUC aos Movimentos Sociais
Movimentos Sociais, SISMUCCuritiba, 17 de fevereiro de 2010
Retrocesso
Vivemos um período muito difícil na política paranaense, o retrocesso do Lernismo dá claras evidencias do seu retorno ao governo do Estado, sem muita alternativa para os setores progressistas.
Sabemos que as práticas políticas do Lernismo seguem a cartilha liberalizante que inclui privatizações e a criminalização dos movimentos sociais. Bem sabemos como foi dura a década de 90, onde os movimentos sociais resistiram bravamente e derrotaram o Lernismo do governo do Estado. No entanto o Lernismo nunca foi derrotado em Curitiba onde detém a hegemonia a mais de duas décadas. Hoje a continuação dessa política possui nome: Beto Richa. Este mantém o favorecimento do Estado ao grande capital como é o caso da Linha Verde, que sequer possui uma faixa para bicicletas, facilitando apenas o fluxo para a produção industrial da CIC rumo ao porto de Paranaguá e ao aeroporto Afonso Pena; ou ainda as pseudo-licitações dos radares (a indústria da multa) e do transporte público, que arrecada 62 milhões de reais por ano surrupiados do bolso dos curitibanos
Herança
Beto Richa herda de Lerner (lembrando os slogans: quem é Jaime é Rafael, quem é Rafael é Cássio, e Beto é vice na chapa de Cássio) a máquina de governo com boa parte dos movimentos populares cooptados (associações de moradores, clubes de mães, conselhos populares). Movimentos de esquerda fragmentados com pouco poder de combate ou até mesmo de questionamento e ainda num contexto de políticas favoráveis na rabeira do governo federal, como urbanização de bairros populares, políticas sociais (mesmo que questionáveis) de moradia e ampliação de serviços públicos. Dentro desse cenário a denúncia da má gestão se torna inaudível, mesmo com fortes evidências de corrupção e caixa dois expostos pela grande mídia. Desse modo, questionar o modelo de gestão Lernista de terceirização dos serviços públicos, desmantelamento do Estado e precarização das relações de trabalho é uma tarefa árdua que nós servidores públicos assumimos com firmeza. Realizamos muitas greves e inúmeros protestos pela cidade levando à população o debate e a denúncia da gestão Richa.
No entanto, pouco conseguimos abalar a imagem dessa administração, que tem na propaganda a sua maior força. Sabemos que sozinho pouco se pode fazer. Urge, então, a necessidade dos movimentos sociais, orientados por sentimentos de solidariedade e rebeldia, se unirem para evitar o retorno da política retrógada ao poder no Estado. Não podemos esperar as eleições. Temos que agir imediatamente. Potencializando qualquer esforço dos movimentos populares em questionar a figura de Beto Richa. Propomos um fórum permanente anti-lernista a exemplo dos companheiros do Rio Grande do Sul com o “Fora Ieda”.
Combate
Dia vinte e dois desse mês a Guarda Municipal de Curitiba entrará em greve por tempo indeterminado, num movimento que não se restringe à luta salarial corporativa. Mas também contra a tentativa de militarização da Guarda Municipal que é civil. Este movimento ganha cada vez mais contornos políticos, pois coloca em xeque não somente a figura de Beto Richa, mas todo o seu modelo de gestão, herdado de Lerner e “aprimorado” pelas mais recentes idéias neoliberais, cujo principal objetivo é transformar o Estado em uma empresa e fazê-lo gerar lucro.
A luta da Guarda Municipal de Curitiba representa a luta dos trabalhadores contra o Lernismo, a luta dos movimentos populares contra as famílias oligárquicas que controlam nosso Estado há séculos. Por isso conclamamos a todos que tomem essa luta para si, levem para a sua organização e discutam o apoio a esses trabalhadores que ousam questionar a ordem estabelecida. Tragam sua bandeira, sua faixa de apoio, seus militantes. No dia 22 de fevereiro próxima segunda-feira a concentração será na praça Tiradentes a partir das 7h00.
Esse movimento também carece de militantes dispostos a participar dos comitês de sensibilização que sairão no dia 21/02, ás 21h00, com destino a todos os postos de trabalho da Guarda Municipal, no intuito de mobilizar a categoria para adesão á greve.
Além do compromisso e engajamento neste movimento, solicitamos a todos que puderem colaborar para que nos ajudem financeira e estruturalmente.
Certos de que a solidariedade norteará vossas mentes e corações, subscrevemo-nos.
Marcela Alves Bomfim cel:9661-9305
Presidente do SISMUC
Patrick Leandro Baptista
Secretaria de Juventude da CUT Cel: 9197-2529
sismuc@sismuc.org.br / www.sismuc.org.br
